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domingo, 12 de julho de 2015

Repensando velhos hábitos...

Já faz um tempo que estou tentando organizar minha casa e com isso tenho repensado muitas coisas. Sempre fui uma pessoa completamente desorganizada e acumuladora (tenho vergonha de admitir, mas sou), mas isso vem me deixando louca... Então depois que o Otávio nasceu tenho repensado muita coisa, principalmente que a organização é fundamental pra se ter uma vida mais leve, e que também não é necessário ter tantas coisas, e assim estou começando a conseguir me desapegar de muitos objetos, roupas, livros e afins.
Foi-se o tempo da minha vida que gostava de ficar juntando as coisas com aquele pensamento: e se eu precisar um dia!!! Não falo só de objetos, falo de páginas nos favoritos do computador, links aqui no blog, páginas curtidas no facebook, grupos dos quais faço parte, e-mais já lidos, enfim, é muita coisa que deixa a vida parada, não deixa as energias boas e novas fluírem, a vida fica estacionada, não tem espaço para o novo.
Levei muito tempo para me dar conta disso, e agora que enfim percebi que tenho que mudar, a vontade é fazer tudo de uma vez só, mas como diz o método Flylady de organização da casa: a bagunça não se formou em um único dia, então não tente acabar com ela em um único dia, faça um pouco de cada vez, um pouco a cada dia, e assim surgiu meu bloquinho de anotações, onde coloco minhas tarefas diárias de organização e limpeza da casa e anoto para mim descartar um objeto a cada dia, 5 dias da semana (como um ano tem 52 semanas isso dará 260 objetos em um ano!!!!)
E o mais interessante dessa análise toda é perceber como nosso pensamento muda, como as prioridades agora são outras e como é necessário fazer esse movimento de "LIMPEZA" na nossa vida. É bem o que dizem da virada do ano, que deve se repensar os atos, abandonar velhos hábitos, jogar tudo o que não presta fora, e eu estou fazendo isso agora, depois de 31 anos de vida (feitos a uma semana), percebi que agora meus objetivos são bem diferentes e que entre elas está a busca por uma vida mais minimalista, com menos objetos, menos apego material, mais abraços, mais viagens, mais espaço dentro de casa para entrar alegria e novas energias!!!
E você já fez essa reflexão???
Vale muito a pena.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pedidos do corpo

O nosso corpo fala, a seu modo, ele dá sinais se está tudo bem ou se está na hora de frear um pouco e andar num ritmo um pouco mais lento. Só que nem sempre ouvimos o que o nosso corpo tem a nos dizer. Foi isso que eu fiz na semana passada e por isso que estou aqui hoje e não estou trabalhando.
Na quinta a noite me senti ruim, uns calorões fora do controle, e depois frio, muito frio, isso que a temperatura do ambiente não mudou, mas segui minha aula até as 22:45h.
Na sexta senti um mal estar muito grande, dor no corpo, dor de cabeça, febre, uma molera, dei aula praticamente toda manhã sentada, isso pra mim é algo impossível, mas não parei, trabalhei todo o dia e a noite. Quando cheguei em casa parecia que ia desmontar, mas botei o celular a despertar e sábado de manhã fui pra capacitação da UAB em Pelotas. Passei todo o dia assistindo as falas, que estavam muito boas, embora as vezes a cabeça desligava um pouco e pedia descanso, mas fiquei até o final.
No domingo acordei um pouco melhor, já que sábado dormi cedo e descansei um pouco mais, e lá fui eu para capacitação de novo. Resultado, piorei novamente, mas mesmo assim fui com o meu irmão na casa onde morava em Pelotas buscar minha cama e colocá-la na casa nova. Cheguei aqui em Canguçu e fui preparar aula, fazer janta e claro não descansei.
Resultado de toda essa loucura: não consegui ir trabalhar ontem, fui no médico e estou com uma forte infecção de garganta e ganhei dois dias de atestado. Só assim parei pra pensar que se tivesse diminuído o ritmo quando meu corpo pediu, eu estaria bem e sem precisar tomar um monte de remédios, mas a gente acha que o corpo não está certo e que as obrigações vem em primeiro lugar... daí é isso que acontece.
Estou seguindo as orientações médicas, repousando, repousando e repousando, não saí de casa, fiquei quietinha, da cama pro sofá e do sofá pra cama, e pensando que temos que colocar um limite em nossa vida, ouvir o que o nosso corpo pede, respeitar as nossas possibilidades, pois a vida é uma só e passa rápido demais!!!!
Hoje a tarde recomeço minhas atividades, devagarinho, preparar as aulas para amanhã, dar uma arrumada na casa, sair para fazer compras para a casa. Mas esses dois dias foram muito bons, estou me sentindo mais leve, tanto no corpo quanto na mente, temos que parar e descansar, não só quando o corpo pede...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A arte do desapego

Desde as férias do ano passado que tenho lido sobre organização da casa e do escritório/ateliê, dentre as minhas leituras muito se fala em desapego, daí comecei a me interessar pelo assunto e sempre leio tudo o que vejo a respeito.
Certo dia li algo sobre o minimalismo, viver com o mínimo possível, com aquilo que cabe em uma mala, ou poucas malas, achei super interessante, mas eu definitivamente não conseguiria viver assim, quem sabe eu consiga um mimimalismo diferente, tendo o mínimo para mim me sentir bem. Essa ideia do minimalismo mostra que é possível sim viver com pouquissímos objetos e ser feliz.
Já em dezembro, final de 2011 assistindo ao jornal hoje vi algo sobre o slow fashion, esta tendência é o minimalismo da moda, é comprar poucas peças de roupa que se encaixem com tudo, e ter o mínimo possível no guarda roupas, além disso o slow fashion incentiva a costumização de roupas e acessórios além do uso de roupas feitas artesanalmente no estilo faça você mesma. 
Desde que eu assisti essa matéria eu pensei em escrever algo, mas estavam me faltando as palavras, porém ela fez com que eu repensasse as minhas compras e decidi que vou comprar uma peça (no máximo) de vestuário ou calçado, por mês. 
Daí ontem fazedo minhas visitinhas me deparo com uma postagem muito legal no Banana Craft que fala do desapego (Para descartar sem piedade), fiquei encantada pois ontem eu estava com o espirito de desapego, estava fazendo uma limpa nas coisas da escola e joguei muita coisa fora, encaminhei para reciclagem e separei para doação, a sensação que dá após fazer isso é muito boa, e pretendo praticar mais do desapego sem piedade durante todo esse mês, provavelmente em fevereiro eu me mude daí vai ser menos coisa para carregar na mudança.
Acumulamos muitos objetos, roupas, calçados, livros, papéis, coisas que pensamos que um dia será útil, mas será que esse dia vai chegar??? Ao invés de ficar juntando tanta coisa temos que pensar que se passarmos adiante podemos deixar alguém feliz e acriremos espaço na nossa vida para o novo, sem se preocupar com aquelas coisas velhas, guardadas que, quem sabe um dia, tenha alguma serventia.

Vamos fazer de 2012 o ano do desapego, vamos tentar nos livrar de tudo que está ocupando lugar em nossas vidas sem necessidade, e dar lugar para novas experiências!!!

Abraços!!! 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

“Novas Vovós”, matéria que saiu na Revista da Folha, de SP

Dia desses estava no face e vi um link postado pelo Superziper que levava para essa matéria bem legal, que foi publicada em São Paulo. Trouxe para cá para compartilhar com vocês... 

August 22, 2011
A matéria está tão legal que vou apenas reproduzi-la aqui.
Saem os cabelos brancos, a cadeira de balanço, as lãs em cores pastéis. Entram os blogs, os fios metálicos e as moças entre 25 e 40 anos com cabelos e roupas da moda. São essas as diferenças que permitem dizer que há, na cidade, uma nova geração de tricoteiras, que nos últimos anos despertou a atenção de fabricantes e vendedores.
Intríseca à imagem clássica da avó, a atividade tem atraído jovens mulheres por três principais motivos. Umas defendem o resgate de trabalhos manuais em geral, o que também inclui cozinhar e jardinar –atos considerados terapêuticos. Outras encontram motivação na moda. Desfilar por aí com peças exclusivas, feitas sob medida, é uma compensação que, dizem, vale as horas dedicadas às agulhas.
E há as que encaram o tricotar como uma transgressão contra o consumismo desenfreado, o que lembra o movimento DIY (“do it yourself”, ou “faça você mesmo”), encampado pelos punks nos anos 1970 e 80. A publicitária Andrea Onishi, 36, faz parte do primeiro grupo. Com vontade desde criança de aprender a tricotar, ela foi atrás de livros, tutoriais (passo a passo) e vídeos na internet. Aprendeu tanto que virou referência.
Há seis anos, Andrea montou o blog Superziper, voltado para manualidades, com destaque para o tricô. Atualmente, a página é acessada por cerca de 4.000 pessoas todos os dias. A internet, para essa nova turma de tricoteiras, é um acessório tão fundamental quanto agulhas e lãs.
SÓ EU TENHO
Para que suas bonecas tivessem roupas exclusivas, Cristiane Bertulucci, 27, foi tricotar com a avó paterna quando tinha nove anos. Hoje, é estilista e professora. “O tricô, para mim, tem a ver com aversão ao massificado e com buscar algo diferente para vestir e que tenha algum valor sentimental”, diz ela, que dá aulas particulares, para grupos e até para crianças.
Cristiane também é uma das fundadoras do coletivo Tricotarde, que reúne jovens apaixonadas por novelos e promove intervenções urbanas, como envolver árvores com peças feitas de lã. “Vestimos uma das árvores do parque Trianon [na av. Paulista], mas não durou muito. Logo mandaram tirar nosso trabalho de lá.”
Espalhar o tricô pela cidade é uma das diferenças em relação às tricoteiras tradicionais. A nova geração também usa cores e pontos distintos. No grupo de 15 senhoras liderado pela professora Sonia Biondi, 72, os tons pastéis são os preferidos. As veteranas, que se reúnem semanalmente, gostam de “rosinha”, “verdinho”, “azulzinho”, tons que combinam com roupas para bebês, as peças mais confeccionadas por elas. Também fazem sucesso pontos mais elaborados, como tranças, e flores de crochê, para enfeitar boleros e cachecóis.
Entre as mais novas, as cores são mais escuras e quentes e as lãs, mais grossas. “As tricoteiras modernas preferem pontos largos porque ficam prontos mais rapidamente. Em uma tarde você consegue começar e terminar um trabalho”, diz Cristiane.
NOVOS RUMOS
O mercado de lãs já percebeu que algo está mudando. Fios mais grossos, com efeitos especiais e cores da estação estrearam nas prateleiras nos últimos invernos. “Elas [as mais jovens] começam a influenciar os hábitos das veteranas”, explica Juliana Bueno, gestora de marketing da Pingouim, uma das maiores fabricantes de lãs do país. “Uma das nossas linhas mais tradicionais, a Flash, acaba de ganhar uma nova tabela de cores por conta dessa mudança de comportamento.”
Outra marca, a Aslan Trends, também está de olho. Segundo Marina Pontieri, do time de estilo da empresa, esse novo perfil ganha força e tem a internet como principal fonte de divulgação da mania entre as modernas. Para agradá-las, a marca lançou neste ano uma lã com brilho metálico. Também neste inverno, a Vila Madalena, na zona oeste, ganhou seu primeiro café dedicado ao tricô. Na Novelaria Knit, inspirada em espaços europeus e americanos, onde o tricô é febre entre os jovens há alguns anos, é possível beber vinho, tomar sopas e comprar lãs importadas da Argentina.
“Há um ano, eu e minha sócia idealizamos um lugar de convivência, de troca, parecido com alguns que visitamos na Califórnia”, conta a empresária Lica Isak. “A ideia é ir além do armarinho do bairro e oferecer um programa mais completo.” De segunda a sábado, são ministrados ali quatro tipos de aula em 18 horários diferentes. Além de trabalhar as mãos, o tricô também ocupa a mente. Foi assim para a designer gráfica Luciane Kras. Quando se mudou para Nova York, há cinco anos, por causa do trabalho do marido, ela decidiu que era hora de buscar mais qualidade de vida. Resolveu, então, frequentar as aulas de tricô do Fashion Institute of Technology.
“Vinha de uma rotina insana de trabalho e esse período de pausa foi importante para eu ver o que realmente queria”, diz ela, que fez o curso durante três meses. De volta a São Paulo, o tricô virou vício. Ela carrega o kit para todos os lugares e pratica enquanto conversa com os amigos. Já produziu casacos, vestidos e golas gigantes para o próprio guarda-roupa e sempre recebe encomenda de amigas. Costuma trocar truques de pontos usando fotos feitas com o iPhone.
Outro benefício mental citado pelas jovens tricoteiras é aprender a lidar com as imperfeições. “Você percebe o erro em um ponto, mas sabe que sempre pode desmanchar e começar tudo de novo. Ou, então, ignorar e aceitar que aquilo faz parte do trabalho”, diz a produtora cultural Melina Valente, 37. “Ter um projeto de tricô ou crochê nas mãos significa estar produzindo algo. Isso é muito poderoso”, afirma ela, que frequenta os encontros do grupo Tricotarde, que ocorrem um sábado por mês no espaço Cartel 011, em Pinheiros, na zona oeste, cuja programação mistura arte, música e moda.
Tricotar, bordar ou fazer crochê é também uma maneira de manter vivo um conhecimento que corre o risco de se perder no tempo. Foi com essa intenção que as amigas Flávia Lhacer, 27, e Vanessa Rozan, 31, criaram o Clube do Útero. Ainda restrito a uma página na internet (www.clubedoutero.blog
spot.com), o movimento quer oferecer workshops de trabalhos manuais. Suas fundadoras planejam a abertura de um espaço para os encontros, provavelmente no Baixo Augusta.
Para aumentar a prática, Flávia, que é figurinista, passa uma tarde por semana na casa da avó, Claudia, 84, bordando. “Foi ela que me ensinou os primeiros pontos.” Vanessa, maquiadora, é neta de costureira, mas só se interessou pelo bordado depois de conhecer o livro “Subversive Cross Stitch” (ponto de cruz subversivo). “Achei o máximo ver as receitas com frases e figuras muito diferentes do ponto de cruz tradicional”, lembra ela, que se reúne com as amigas e, entre uma taça de vinho e outra, troca dicas.
Como nas jovens tricoteiras o contraste visual entre moderno e antigo é evidente, não raro ele atrai chacotas. Andrea, do blog Superziper, estava tricotando com uma amiga no calçadão de Santos quando ouviu de um ambulante: “Estão treinando para serem avós?”. A professora Cristiane já escutou: “Nossa! Tão bonita e tricotando…”. Pelo jeito, vai ser difícil combinar tricô e modernidade. E talvez seja exatamente essa a ideia.

domingo, 11 de setembro de 2011

Reflexão sobre a morte do professor Kássio Gomes em BH


A vida dos professores não é fácil, são aulas a preparar, trabalhos e provas a elaborar, depois corrigir, fechar notas e ainda por cima ser criativo, chamar a atenção do aluno, na maioria das vezes sem recurso algum. Isso até seria aceitável se os salários fossem melhores, fossem equiparados a outras classes com ensino superior. É uma vergonha estudar quatro anos, se formar em uma universidade e receber um salário entorno de MIL reais para 40 horas semanais, dio em torno pois tem municípios que recebem menos que isso ainda.
Somos tão desvalorizados pelo Poder Público que os alunos se acham no direito de nos humilhar, nos agredir verbal e fisicamente, e em alguns casos essa violência vai além.
Recebi esse texto por e-mail a algum tempo e hoje procurei ele na internet para poder colocá-lo aqui. É um texto escrito por um advogado que mostra a realidade da educação no Brasil, de uma maneira geral.
Se tiverem um tempinho leiam e refletam sobre isso...
Bom domingo a tod@s!!!



Eu acuso!
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)
“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice”. (Émile Zola)
(Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (…) (Émile Zola)
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que… estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando…
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso antidisciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente…
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto bancario hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes será despejada na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

Texto retirado de: Blog do Henrique 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Casa Arrumada...

Desde que comecei a vida blogueira, procuro dicas de organização da casa, ideias para montar meu ateliê, e me inspiro vendo os mais diversos tipos de artesanato que esse mundo virtual tem a oferecer, e dentre esse passeios encontrei um texto que me fez refletir sobre uma angustia que tenho a muito tempo: Como manter a casa sempre arrumada e organizada?
Sou professora e estudante, e por esse motivo tenho muito livro, apostila, papel e isso faz uma bagunça bem grandinha, principalmente quando preparo aula ou estudo para a faculdade, é papel e livro para todo lado. Assim quase enlouqueço pensando no que posso fazer para conseguir manter a casa sempre organizada, pois limpinha eu conservo, mas a organização... fica a desejar (principalmente no escritório). Mas lendo esse texto do Drummond pensei um pouco melhor nas minhas angustias. Leiam e deixem a sua opinião...

"Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar."



Bom vou deitar um pouco, hoje não fui a aula pois uma dor de estômago está me matando e amanhã é aniversário da mãe, vou para Morro Redondo passar essa data com ela, não vou participar do desfile de 7 de setembro, e vou estar longe da internet também, então desde hoje desejo um bom feriado e uma bom dia de descanso a tod@s.
Beijos...